Foram muitos meses de silêncio e abandono neste meu (literalmente) modesto espaço de compartilhamento tecnológico... Mas, como ele é meu mesmo, paciência...
Só vai rolar alguma coisa quando der vontade (arianamente falando...rrrrrssss). Como agora.
Depois de uma jornada de duas semanas por terras peruanas e muitas anotações em um caderninho (pouco criativamente) batizado de Diário de Bordo, vou começar a publicar nossa aventura aqui. Portanto, será preciso tolerância e calma – minha, para suportar as limitações do meu notebook nas postagens, e de quem quiser acompanhar o que andei registrando. Certamente, as fotos vão falar muito mais do que meus rascunhos... E as emoções, nem as fotos vão conseguir traduzir. Mas, enfim, vamos nessa...
Acho que muita coisa ficou para trás, sem o registro no dia em que aconteceu, por isso, tomarei a liberdade de acrescentar algumas impressões tardias. Era praticamente impossível, por exemplo, pensar em escrever na noite que estivemos aos pés de Salkantay, um monte nevado (e congelado), no escuro absoluto e a uma temperatura de sete graus abaixo de zero... Passamos a madrugada inteira rezando para o dia amanhecer, porque dormir com tanto frio era impossível...
E assim foi nos outros dias, depois das longas jornadas pela trilha rumo a Machu Pichu, quando a única vontade era entrar no saco de dormir e, claro, dormir, porque nem bem o dia amanhecia a gente já devia estar na estrada... Nossos deliciosos cafés da manhã peruanos eram devorados no acampamento, ainda no escuro, por, nós, criaturas empacotadas. Escrever, como?? Os dedos praticamente não se moviam mais... As temperaturas nessa região do Peru simplesmente despencam em pouquíssimos minutos quando o sol começa a se por e aí, só Deus na causa...
O fato é que acumulei experiência, muito conhecimento, emoções e um profundo respeito pela cultura peruana daquela região, que se orgulha da terra em que vive e preserva uma história que tem satisfação de contar... Muitas vezes ouvimos alguns peruanos dizerem que o que o turista vê nem sempre é o real, mas prefiro ignorar isso e guardar comigo apenas o que senti estando com as pessoas.
O melhor da história é que fui apenas uma convidada numa aventura que, na verdade, era o sonho de Paulinho, meu companheiro. Era dele o desejo de ir a Machu Pichu, adiado durante trinta anos. Também foi dele a idéia da trilha a pé, indo por Salkantay até a cidade sagrada. Enfim, eu tive apenas o privilégio de dividir tudo isso com ele. Assim, como embarcou no Caminho de Santiago de Compostela comigo, ano passado. Aliás, vale lembrar que ele nasceu no dia 25 de julho, dia de Santiago e que o ano passado foi um ano jacobeo, em que o 25 de julho cai no domingo.
E como se não bastassem as coincidências, este ano em que estivemos em Machu Pichu é comemorado o centenário da descoberta da cidade... O que dizer mais??
Foram 15 dias muito especiais... E que inacreditavelmente terminaram de um jeito que contando ninguém consegue acreditar... Nem eu, se não tivesse testemunhado e com a certeza de que não sonhei.
Na véspera de voltar para o Brasil, perambulando em Cusco, encontramos Fernando, um dos amigos brasileiros que conhecemos ano passado, também peregrino do Caminho de Santiago! Só mesmo uma conexão divina para explicar como poderíamos nos rever, exatamente um ano depois, e em um lugar completamente diferente...Dizem que "até as pedras se encontram" - agora tenho certeza.
Bem, mas, vamos lá... Tenho quase um caderninho inteiro para digitar... rrrsss
Nenhum comentário:
Postar um comentário