2010 termina hoje.
Mais algumas horas apenas e as pessoas começam as comemorações pelo ano que está chegando e, claro, todos esperam que traga muitas coisas, satisfaça os desejos, realize os sonhos, enfim...
É o frisson coletivo que se transforma em energia e acaba contagiando até mesmo quem jura de pé junto que não liga para nada...
Bem, 2010 para mim foi emblemático, mágico, santo, abençoado. O marco que imperceptivelmente está provocando mudanças, redirecionando atenções, definindo minha passagem por aqui.
Só tenho a agradecer. Muito. Sempre.
Para o ano que está "bem-vindamente" chegando, quero apenas dedicar o meu esforço, oferecer a minha vida, o meu amor a tudo o que Deus quiser que eu faça.
Estarei sempre pronta a continuar o meu Caminho, dia a dia, pelas estradas, sejam elas quais forem...
Obrigada, São Francisco, pela inspiração
Obrigada, São Jorge, pela força e proteção
Obrigada, Santiago, pela orientação no Caminho
Obrigada, Maria, pelo perdão nos momentos de fraqueza
Obrigada, meu Deus, por estar aqui...
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
E o Caminho continua...
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Silêncio no coração
O Caminho da vida da gente... que coisa, né?
Não adianta programar, planejar, organizar, tentar controlar, submeter à vontade...
Tudo está conectado em uma dimensão que extrapola qualquer tipo de intenção racional.
Bem, hoje, quatro meses depois de ter vivido a experiência do Caminho de Santiago, percebo claramente que não tenho a menor possibilidade de definir o que será o amanhã... Intuitivamente, instintivamente, as direções vão surgindo, mudando...
Os mapas, as subidas e descidas pouco a pouco se manifestam e é quase inevitável ignorar o que a vida oferece e a gente tem que perceber como missão...
missão, sim... e não dá para fugir dela.
Escolhemos a direção do bem, mas os instrumentos e os beneficiados pelo bem que temos que fazer não dependem da nossa vontade. É fechar os olhos e doar... O coração, o tempo... O que a gente tiver recebido de graça da vida...
Isso tudo pode parecer meio enigmático para quem eventualmente estiver lendo essa "viagem" comigo mesma, exposta no mundo virtual... Faz parte da graça de estar viva e pronta para aceitar o que Deus quiser...
terça-feira, 10 de agosto de 2010
A Caminho do Alto do Perdón
Muitos lugares por onde passamos foram marcantes - cada um de uma forma diferente. Com um simbolismo diferente, uma conexão distinta entre o material e o divino. Mas, um deles - acho até que o primeiro que me desafiou de verdade como peregrina de Santiago foi o Alto do Perdón.
Meu marido e eu estávamos tensos por causa da hérnia de disco dele, das reais condições que teria de subir e das consequências que aquele trecho poderia trazer para a sua saúde física. Sim, física, porque emocionalmente parecia determinado a enfrentar a incerteza...
O fato é que não havia dúvidas: o Alto do Perdón, pouco depois da travessia urbana de Pamplona, estava bem ali para ser ultrapassado. Assim como muitas outras vezes, não dava para saber ou ver até onde teríamos que andar, quanto ainda faltava para chegar até a parte mais alta. Aliás, também na vida, a gente nunca consegue prever, calcular ou programar com precisão o próximo passo.
Tentamos traçar uma estratégia para caminhar, de tal maneira que o corpo fosse poupado, que os joelhos não doessem muito, que a coluna não sentisse o esforço. Bobagem... Estava no espírito, na alma, a razão para estarmos ali e era justamente ele que nos daria condições de superar a dificuldade... Aliás, uma dificuldade que não se resumia ao trajeto em direção ao céu. O frio e o vento eram intensos. Foi aí que nos convencemos de que alguma coisa errada estava acontecendo com aquele "verão" europeu...
Mas, como dizem os peregrinos - e eu também aprendi a lição - "es el Camino".
Todas as sensações, sentimentos, dificuldades, alegrias, encantamentos, enfim - tudo faz parte dessa grande viagem...
E no Alto do Perdón eu comecei a perceber e a entender isso...
As pedras no Caminho
Nem sei quantas foram, mas certamente muitas pedrinhas ficaram por onde passei ao longo do Caminho, atravessando a Navarra. Em cima de cada pequeno mojón, com a seta amarela e a vieira, em reverência a tudo aquilo o que eu estava vivendo, uma foi colocada - algumas pequenas, outras maiorezinhas, algumas minúsculas, mas a importância e a emoção que depositei certamente naquele gesto nem dá para descrever.
Ofereci todas elas. Repetidas vezes, falei em voz alta dentro do meu coração o nome dos meus protetores - São Jorge , que defende e protege; São Francisco que me inspira e me abre os olhos e as emoções; Nossa Senhora que conforta e conduz a caminhada; e Santiago, a direção da longa jornada interior. O que senti em cada uma das vezes que fiz isso? Só eles sabem. No Caminho, nenhuma emoção é igual...
Teria feito isso sem me cansar pelos mais de 700 quilômetros que percorremos, mas só na Navarra os mojóns são baixos o suficiente para que as pedrinhas fossem colocadas, além do fato de serem mais constantes... Fora da Navarra, a sinalização - tanto de setas quanto de mojones e vieiras - é bem mais irregular.
Mas, mesmo sem as pedras que não consegui deixar, as marcas dos meus passos ficaram pelo Caminho... assim como o Caminho está marcado na minha alma.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
O Caminho ainda está me levando...
Sinto que ainda vou precisar me dar mais um tempo, até conseguir (ou pelo menos tentar) reduzir a experiência do Caminho de Santiago a palavras.
Ensaiei dezenas de vezes.
Na minha alma, às vezes me flagro relatando para mim mesma a intensidade do que representou ser conduzida por estradas em direção ao que há de mais divino, que é a nossa própria essência...
Mas, quando penso em filtrar os sentimentos, transportá-los até as pontas dos dedos, decodificá-los para depois martelar nestas tantas teclinhas do computador, desisto.
Isso não é possível de ser feito...
Meu coração mais uma vez aperta e a emoção vem com uma intensidade que jamais seria capaz de arriscar a organizar em frases, parágrafos, textos inteiros...
Tenho necessidade de apenas deixar fluir o meu silêncio, que tem me abstraído de todos os pensamentos, palavras e atos já sem sentido.
O Caminho ainda está me levando...
domingo, 18 de julho de 2010
Enfim, Santiago...
Tarde do dia 14 de julho de 2010.
Depois de 27 dias, surgiram diante de mim as primeiras imagens de Santiago de Compostela.
Do alto de uma grande colina, o que se vê pode parecer, à primeira vista, algo semelhante a uma cidade comum... Mas para nós, peregrinos, que a cada passo alimentamos a esperança e as dúvidas sobre o que iria acontecer no dia seguinte, se realmente seria possível pisar em Santiago, se aproximar dela é indescritível.
Sentimentos, emoções não podem ser fielmente transformados em palavras e nem ninguém - além de nós mesmos - é capaz de compreender o que nos revoluciona a alma daquela forma...
A mais singela manifestação de tanta emoção possível a pobres mortais, então, é chorar...
Sem parar de andar... Afinal, do momento em que se percebe estar diante de Santiago de Compostela até estar diante da Catedral ainda há uma longa área urbana a ser percorrida...
Mas, não tem importância nenhuma... Depois de mais de 700 quilômetros e tantas experiências, mais alguns minutinhos são nada...
O coração - coitado - tenta resistir. Só ele é testemunha da constante batalha interior entre corpo e mente que ocorreu inúmeras vezes sempre que se avizinhava a possibilidade de algo acontencer para atrasar, impedir, atrapalhar a jornada...
Só ele sabe o quanto eu estava entregue ao Divino, o quanto eu sinceramente precisava percorrer aqueles caminhos - não para pedir, para desejar, mas para agradecer, para celebrar em nome de tudo o que pude viver até hoje, pelas possibilidades que tenho, por ter sido atendida sempre, mesmo quando não me senti no direito de dirigir orações a Deus. Como no acidente de carro da minha mãe, quando entreguei ao Céu a sua recuperação, surpreendendo até o médico...
Só mesmo meu coração para entender...
"Idéia fixa", uma vez, alguém me disse... E graças a Deus que era mesmo! Idéia fixa de gratidão...
Uma idéia fixa de manifestar o sentimento que tenho pela vida.
Hoje, de volta ao Brasil, confesso estar ainda um tanto fora de sintonia com tudo... Meio esquisita, como se na minha cabeça tivesse havido uma limpeza, um grande "balanço" e agora tudo passasse por um gigantesco processador de conteúdos... Meus e também os que estão ao meu redor...
O daqui para a frente, que já está acontecendo, assim como toda a minha vida, não me pertence... Vou continuar aberta a tudo, ao que eu preciso ser e fazer... Porque agora mais do que nunca sei que tenho muito mais responsabilidades...
A oportunidade da experiência do Caminho pode ter sido individual durante 27 dias, mas a concretude do resultado dela deve ser transformada em algo coletivo. Posso até ainda não saber como, mas tenho certeza de que não vou demorar a descobrir...
Para encerrar, acho que o Caminho pode ser resumido como fez o poeta que escreveu no muro de Nájera. Sem pretender reproduzir todas as palavras dele - até porque não me lembro exatamente - acho que é a melhor coisa que já vi sobre tudo isso, para explicar o motivo que levar tanta gente a se lançar nessa jornada ... e com tanta alegria, com tanta determinação, com tanta fé:
No Caminho, somos todos movidos por uma voz que nos chama e uma força inexplicável que nos move...
É verdade.
Obs: as fotos e parte das experiências - inclusive as engraçadas (que não foram poucas...rrrrrrssss) - vão aparecer aqui... aos poucos, claro...
quarta-feira, 23 de junho de 2010
As percepções
Caminhar é descobrir o corpo, a mente e o espírito...
Elementos que se completam, mas que precisam ser compreendidos, respeitados, integrados...
Cada um é parte do nosso ser, apesar de nem sempre percebermos que, na verdade, devemos ser um só...
Cada um com a sua linguagem...
Precisam ser bem cuidados, carinhosamente...
O corpo ... matéria.
A mente ... racionalidade
O espírito ... conexão com o Divino.
Caminhando, há tempo para perceber isso... A cada passo, corpo, mente e espírito respondem, conversam, e por vezes se confrontam...
Mas, faz parte do aprendizado... Do caminhar...
Elementos que se completam, mas que precisam ser compreendidos, respeitados, integrados...
Cada um é parte do nosso ser, apesar de nem sempre percebermos que, na verdade, devemos ser um só...
Cada um com a sua linguagem...
Precisam ser bem cuidados, carinhosamente...
O corpo ... matéria.
A mente ... racionalidade
O espírito ... conexão com o Divino.
Caminhando, há tempo para perceber isso... A cada passo, corpo, mente e espírito respondem, conversam, e por vezes se confrontam...
Mas, faz parte do aprendizado... Do caminhar...
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Os sinais
Hoje, passados cinco dias de Caminho, sinto que sou ainda menor do que imaginava...
Percebo que a vida está descrita em tudo: nas pequenas pedras que surgem, no vento gelado que sopra, nas montanhas, na chuva, no frio, na paisagem, nos peregrinos que encontro.
É a minha vida que vai passando, é o sentido de tudo que se materializa...
Os sinais que indicam o rumo a Santiago de Compostela que, pouco a pouco, vao aparecendo no meio do caminho e tranquilizando a alma...
Tudo se manifesta como a própria vida...
O silencio que revela apenas os ruidos dos meus passos e o som do cajado que me sustenta sáo a resposta...
Aqui náo há como prever, controlar, determinar... Sou eu e o Caminho...
Percebo que a vida está descrita em tudo: nas pequenas pedras que surgem, no vento gelado que sopra, nas montanhas, na chuva, no frio, na paisagem, nos peregrinos que encontro.
É a minha vida que vai passando, é o sentido de tudo que se materializa...
Os sinais que indicam o rumo a Santiago de Compostela que, pouco a pouco, vao aparecendo no meio do caminho e tranquilizando a alma...
Tudo se manifesta como a própria vida...
O silencio que revela apenas os ruidos dos meus passos e o som do cajado que me sustenta sáo a resposta...
Aqui náo há como prever, controlar, determinar... Sou eu e o Caminho...
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Emoção
Amanhã

É quando começa uma nova etapa dessa história que, na verdade, já começou...
Os primeiros passos do caminho já foram dados...
As dificuldades, os dilemas...
A ansiedade, a expectativa...
Os mistérios e as incertezas...
Tudo parece começar, apesar de - de fato - já ter começado...
Mas, é tempo de entrega...
Tempo de abrir a mente e o coração, quando alma e físico vão estar mais próximos do que nunca e tudo pode mudar em instante, no passo seguinte...
Peregrinamente...
quarta-feira, 9 de junho de 2010
A constante caminhada
quinta-feira, 3 de junho de 2010
O primeiro dia
Sou profundamente agradecida à vida. Ao que me foi dado. Ao que pude aprender (e estou aprendendo - com a profunda generosidade da vida) . E ao que eu posso dividir.
Para o primeiro devaneio virtual neste espaço - meu e público ao mesmo tempo -, reverenciar a existência é o sentimento mais forte, mais presente, que me vem ao coração e impulsiona a minha 'bendita' (rrrrsss) impulsividade.
Pedir o quê? Por quê?
Se a cada segundo da minha vida, a cada instante em que respiro e meu coração pulsa, me é permitida a independência, a comunicação e o raciocínio independentes?
Meu Deus, preciso mais de quê?
Aliás, é preciso, sim, fazer...
Fazer mais, muito e sempre...
E amar a vida... O tempo todo...
Graças a Deus,
a Jorge que me defende e protege e
a Francisco que me inspira e me dá sensibilidade para perceber com o coração o que não consigo ver com os olhos
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