Muitos lugares por onde passamos foram marcantes - cada um de uma forma diferente. Com um simbolismo diferente, uma conexão distinta entre o material e o divino. Mas, um deles - acho até que o primeiro que me desafiou de verdade como peregrina de Santiago foi o Alto do Perdón.
Meu marido e eu estávamos tensos por causa da hérnia de disco dele, das reais condições que teria de subir e das consequências que aquele trecho poderia trazer para a sua saúde física. Sim, física, porque emocionalmente parecia determinado a enfrentar a incerteza...
O fato é que não havia dúvidas: o Alto do Perdón, pouco depois da travessia urbana de Pamplona, estava bem ali para ser ultrapassado. Assim como muitas outras vezes, não dava para saber ou ver até onde teríamos que andar, quanto ainda faltava para chegar até a parte mais alta. Aliás, também na vida, a gente nunca consegue prever, calcular ou programar com precisão o próximo passo.
Tentamos traçar uma estratégia para caminhar, de tal maneira que o corpo fosse poupado, que os joelhos não doessem muito, que a coluna não sentisse o esforço. Bobagem... Estava no espírito, na alma, a razão para estarmos ali e era justamente ele que nos daria condições de superar a dificuldade... Aliás, uma dificuldade que não se resumia ao trajeto em direção ao céu. O frio e o vento eram intensos. Foi aí que nos convencemos de que alguma coisa errada estava acontecendo com aquele "verão" europeu...
Mas, como dizem os peregrinos - e eu também aprendi a lição - "es el Camino".
Todas as sensações, sentimentos, dificuldades, alegrias, encantamentos, enfim - tudo faz parte dessa grande viagem...
E no Alto do Perdón eu comecei a perceber e a entender isso...
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